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Viajar em grupo

Nem todas as viagens em grupo são iguais

O que muda quando mudam o grupo, o líder e a forma de organizar a viagem. E o que convém perceber antes de reservares.

Bruno Oliveira junto a um comboio numa estação no Vietname.
Bruno Oliveira no Vietname.

Quando alguém me diz que não gosta de viagens em grupo, gosto de perceber de que viagem está a falar. Às vezes, basta continuarmos a conversa para descobrir que aquilo de que não gostou foi de passar demasiado tempo num autocarro, de ter pouca liberdade ou de viajar com tanta gente que nunca chegou a conhecer verdadeiramente ninguém.

Consigo perceber. Mas uma viagem com cinquenta pessoas a percorrer várias cidades e uma viagem com dez pessoas pelo Japão podem ter muito pouco em comum, apesar de ambas aparecerem debaixo da mesma designação.

Também há quem me diga que quer viajar em grupo porque não tem companhia, não fala inglês ou está cansado de tratar de tudo. Outras pessoas têm companhia e experiência, mas gostam de conhecer gente nova e de partilhar aquilo que vão descobrindo. As razões são diferentes, tal como os formatos que podem responder a cada uma delas.

Por isso, antes de discutirmos se viajar em grupo é melhor ou pior, vale a pena perceber como funciona aquela viagem em concreto. Quem vai contigo? Quantas pessoas são? O que fazem em conjunto? Quem preparou o programa? O que acontece se alguma coisa correr mal?

O destino e o preço ajudam a escolher. Mas deixam muita coisa por contar.

Porque estou a escrever sobre isto

Sou o Bruno Oliveira. Antes de criar a Brunu Travel, trabalhei durante mais de dezoito anos em tecnologia, produto e banca, em empresas como a Accenture, a Deloitte, o Barclays e o Santander. Passei muito tempo a trabalhar com equipas internacionais, clientes, fornecedores e projetos em que organizar bem as coisas fazia toda a diferença.

Viajar acompanhou sempre esse percurso. Já estive em mais de quarenta países e uma viagem longa entre Portugal e a Ásia acabou por mudar a importância que queria dar às viagens na minha vida. Foram oito países, vinte e sete destinos e dezasseis voos. Pelo caminho, fui percebendo que queria continuar a trabalhar com pessoas e a criar projetos, mas numa área com a qual me identificasse de outra maneira.

A Brunu Travel nasceu dessa vontade. Se o meu objetivo fosse apenas ganhar mais dinheiro, provavelmente teria continuado a trabalhar para a empresa inglesa onde estava. O projeto nasceu de uma paixão pela área e da vontade de experimentar uma forma diferente de fazer viagens em grupo. Essa paixão vê-se nas escolhas que faço, no tempo que passo a preparar cada programa e nos destinos que decido propor.

Só proponho viagens e destinos com os quais me identifico e onde já estive. Preciso de conseguir explicar por que razão quero levar um grupo àquele lugar, o que gosto de lá fazer e o que faz sentido partilhar. Um destino estar na moda, por si só, não chega.

Escrevo este artigo a partir dessa experiência e daquilo que tenho aprendido com viajantes, agências, guias e parceiros locais. Quero ajudar-te a perceber melhor as diferenças entre propostas que, numa primeira leitura, podem parecer iguais.

Há líderes que começam no dia da partida. A minha viagem começa muito antes.

Há líderes cujo trabalho naquele programa começa no dia da viagem. Recebem um roteiro preparado por uma equipa, conhecem a operação e assumem o acompanhamento do grupo. Há outros que participam na criação da viagem desde o início e que, quando chegam ao aeroporto, já levam meses de trabalho com aquele destino.

O meu caso está muito mais próximo do segundo. Há viagens que começo a preparar cerca de um ano antes de acontecerem. Antes de abrir uma viagem em grupo, testo o destino no terreno: faço percursos, utilizo transportes, conheço zonas onde podemos ficar e avalio atividades. Quero perceber o que funciona para o grupo que pretendo levar.

Uma coisa é olhar para um mapa e achar que conseguimos visitar quatro lugares numa manhã. Outra é fazer o percurso, perceber o tempo das deslocações, descobrir que existe uma subida pelo meio e chegar ao último sítio já sem vontade de ver nada. Esse tipo de aprendizagem muda um programa.

Testar também significa retirar coisas. Posso gostar muito de um restaurante e perceber que não recebe bem um grupo. Posso visitar uma atração conhecida e concluir que, para aquela viagem, prefiro usar o tempo noutro lugar. Posso encontrar uma alternativa que não aparecia nas primeiras pesquisas e que acaba por fazer mais sentido.

Na Brunu Travel, sou também eu que crio o site, preparo os planos de viagem, produzo conteúdos para as redes sociais e explico as propostas a quem está interessado. Trabalho o programa com os parceiros e acompanho muitos dos grupos. Conheço, por isso, as escolhas que deram origem à viagem e as expectativas que fomos criando antes da partida.

Em empresas com equipas maiores, este trabalho pode estar distribuído por várias pessoas. Quem testa o destino pode ser diferente de quem desenha o programa, de quem o vende e de quem acompanha o grupo. Essa divisão permite especialização, mas exige uma boa passagem de informação entre as equipas.

Nas viagens que lidero, existe essa continuidade: sou eu que testo, ajudo a construir e vou contigo. Quando, no futuro, uma viagem for acompanhada por outro líder da Brunu Travel, quero que essa pessoa conheça o programa, a intenção de cada escolha e o tipo de acompanhamento que os participantes esperam.

Ter visitado um destino não significa que nada vá mudar. Os horários alteram-se, um restaurante pode fechar e o tempo pode obrigar-nos a adaptar o dia. Mas conhecer o terreno ajuda-me a decidir melhor quando isso acontece.

Bruno Oliveira à entrada de um aeroporto.
Bruno Oliveira num aeroporto.

O acompanhamento começa onde?

Quando lês que uma viagem é acompanhada, convém perceber desde quando e até onde. O líder pode sair contigo de Portugal, receber-te no destino ou estar presente apenas em determinados dias. Tudo isto pode fazer sentido, desde que esteja explicado antes da reserva.

Se sais do mesmo aeroporto que o líder, o encontro pode acontecer logo na partida. Se vives no Porto, na Madeira ou fora de Portugal e o voo de referência parte de Lisboa, pode ser mais prático juntares-te ao grupo no destino. Há também quem queira chegar uns dias antes ou prolongar a estadia.

O importante é saberes como vais chegar ao ponto de encontro. Tens um transfer incluído? Há alguém à tua espera? Vais de comboio até ao hotel? Se o voo se atrasar, quem deves contactar? A viagem deve responder a estas perguntas sem te obrigar a descobrir tudo quando aterras.

Para quem está habituado a viajar, uma deslocação entre o aeroporto e o hotel pode parecer simples. Para quem vai pela primeira vez sozinho, pode ser a parte que mais preocupa. Às vezes, explicar o percurso com clareza e estar contactável durante a chegada faz uma diferença enorme.

Se o líder só estiver no destino, também é importante perceber que não estará fisicamente contigo caso exista um problema no voo de ida. Pode ajudar à distância, em articulação com a agência, mas esse acompanhamento é diferente de viajar no mesmo avião. Vale a pena conhecer essa diferença antes de precisares dela.

O líder, o guia e as pessoas que trabalham no destino

O líder acompanha o grupo e faz com que a viagem funcione no dia a dia. Confirma horários e reservas, articula com fornecedores, ajuda nas deslocações e responde aos imprevistos. Também tem de perceber como estão as pessoas: quem está cansado, quem precisa de ajuda e quem ainda não encontrou o seu espaço no grupo.

Parte deste trabalho quase não se vê quando tudo corre bem. O grupo chega e o motorista está à espera; entra no hotel e os quartos estão preparados; muda de transporte sem passar meia hora a discutir qual é a saída certa. Muitas vezes, houve telefonemas, confirmações e decisões antes desses momentos.

Outras vezes, o trabalho torna-se bastante visível. Uma mala não chega, alguém fica doente, um voo é cancelado ou surgem conflitos entre participantes. Nessas situações, conhecer o destino ajuda, mas também é preciso saber ouvir, manter a calma e decidir. Já tive de lidar com situações deste género, e a experiência de gerir pessoas e problemas que trouxe da minha carreira anterior continua a ser útil.

O guia tem uma função diferente. Acrescenta conhecimento e interpretação ao lugar que estamos a visitar. Um bom guia consegue explicar uma tradição, dar contexto a um monumento ou mostrar-nos uma parte da cidade que, sozinhos, provavelmente não compreenderíamos da mesma forma.

Posso conhecer bem Banguecoque e saber deslocar-me pela cidade sem ter a profundidade de conhecimento de um profissional que estuda e trabalha diariamente com aquele património. Por isso, gosto de recorrer a guias especializados quando acrescentam valor ao programa. Procuro conhecimento, capacidade de comunicação e uma forma de estar que faça sentido para o grupo. Ter nascido no destino, por si só, também não garante ser um bom guia.

O líder e o guia podem trabalhar em conjunto durante uma visita. Eu posso ajudar a esclarecer uma indicação ou facilitar uma conversa, mas isso não me transforma automaticamente num intérprete profissional nem substitui o trabalho do guia.

Em algumas viagens existe ainda um parceiro local que coordena hotéis, transportes, guias e atividades. Podes encontrar a sigla DMC, de Destination Management Company, para descrever este tipo de empresa. Para o viajante, o mais relevante é perceber quem conhece a operação no terreno e quem consegue responder quando é necessário encontrar uma alternativa.

Uma agência pode ter essa capacidade internamente, contratar fornecedores diretamente ou trabalhar com um parceiro local. Na escolha dos meus parceiros, procuro perceber o conhecimento que têm do destino e do tipo de viagem que estamos a preparar. Ser muito bom em circuitos culturais não significa dominar a logística de um festival ou de um fim de semana de Fórmula 1.

O tamanho do grupo e o ritmo da viagem

Dez pessoas e cinquenta pessoas não se deslocam da mesma forma. Não entram num restaurante com a mesma facilidade, não saem de um hotel à mesma velocidade e não conseguem alterar um plano nas mesmas condições.

Grupos maiores podem permitir dividir determinados custos por mais participantes e funcionar bem em circuitos com uma operação estruturada. Há pessoas que gostam desse formato e da possibilidade de conhecer muita gente. Em grupos pequenos, costuma ser mais fácil conversar, sentarmo-nos à mesma mesa e perceber as necessidades de cada pessoa.

Essa proximidade é uma das coisas que procuro nas viagens da Brunu Travel. Mas um grupo pequeno não garante, por si só, uma boa dinâmica. É preciso dar atenção a quem chega sozinho, a quem é mais reservado e a quem tem uma forma diferente de estar. Nem toda a gente precisa de falar muito para se sentir bem numa viagem.

Também quero ser claro sobre o ritmo: uma viagem em grupo tem um programa comum, atividades em conjunto e horários que precisam de ser respeitados. Se prometesse que cada pessoa poderia fazer tudo ao seu ritmo, estaria a criar uma expectativa impossível de cumprir. Quem escolhe este formato procura também companhia e momentos partilhados.

Isso pode conviver com tempo livre, atividades opcionais e espaço individual. Podemos visitar uma cidade juntos durante a manhã e ter uma tarde em que uns vão a um museu e outros preferem descansar. O equilíbrio depende do programa e deve ser visível antes da inscrição.

Por isso, “viagens em grupo sem sensação de excursão” significa, para mim, ter organização e acompanhamento sem tornar cada momento impessoal. Há horas para cumprir, mas também deve haver espaço para conversar, parar e estar nos lugares que fomos conhecer.

A pergunta que falta muitas vezes: esta viagem faz sentido para mim?

É fácil olhar para as fotografias e gostar do destino. Mais difícil é perceber como será estar ali durante aqueles dias. Uma viagem pode ser excelente e, ainda assim, não ser a mais indicada para ti naquele momento.

Se o programa inclui vários dias a caminhar, importa saber aproximadamente quanto e em que condições. Se muda de hotel quase todos os dias, convém perceber se gostas desse ritmo. Se tem noites em comboios, saídas cedo ou atividades fisicamente exigentes, isso deve fazer parte da conversa antes da reserva.

O mesmo vale para a mobilidade, as necessidades alimentares, o idioma e o conforto com a partilha de quarto. Não precisas de viajar muito nem de falar inglês para te juntares a determinados grupos. Mas precisas de saber com que apoio podes contar e o que a viagem vai exigir de ti.

Do meu lado, prefiro explicar uma dificuldade e ajudar alguém a escolher outra proposta a conseguir uma inscrição que depois resulta numa viagem mal vivida. Conhecer o destino também serve para isso: conseguir dizer com honestidade para quem aquele programa faz sentido.

O preço precisa de ser lido com o programa ao lado

Comparar uma viagem de 699 € com outra de 899 € sem olhar para as inclusões pode induzir em erro. Imagina, apenas como exemplo, que à primeira tens de acrescentar 220 € de voo, 50 € de transfer e 70 € de bagagem. Já vais em 1.039 €, antes de considerar entradas, refeições ou outros serviços.

A proposta mais barata à partida pode continuar a ser a melhor para ti, sobretudo se preferires contratar alguns serviços à parte. O que importa é fazeres a conta ao custo provável da viagem e perceberes o acompanhamento que cada opção oferece.

Um grupo pequeno também pode custar mais por pessoa. Se um serviço privado custa 300 €, divide-se em 30 € por participante num grupo de dez e em 7,50 € num grupo de quarenta. Isto ajuda a perceber por que razão duas propostas para o mesmo destino podem ter preços diferentes, mesmo utilizando hotéis semelhantes.

Nos transportes, também convém olhar além da imagem do autocarro. Há viagens em que ele é a solução mais prática; noutras, podemos combinar comboio, metro, barco, carrinha ou voos internos. Os meios escolhidos influenciam o tempo, o conforto e a forma como conhecemos o destino.

Os voos incluídos simplificam a compra e podem facilitar a partida conjunta. Quando são adquiridos separadamente, existe mais liberdade para escolher o aeroporto, chegar antes ou regressar depois. Essa flexibilidade traz outras tarefas: confirmar os horários de encontro, perceber os transfers disponíveis e saber quem presta apoio a cada reserva.

E sim, as companhias de baixo custo também trabalham com grupos. A Ryanair tem um serviço para grupos a partir de quinze passageiros. A easyJet disponibiliza um modelo de grupos a partir de dez lugares, com condições específicas para apresentação de nomes e pagamento. As regras devem ser confirmadas na altura da reserva.

Encontrar um lugar a determinado preço não significa que existam quinze lugares disponíveis pelo mesmo valor. Também é preciso comparar bagagem, condições de alteração e prazos de pagamento. Isto não justifica qualquer diferença de preço; ajuda apenas a fazer uma comparação com os mesmos elementos.

O alojamento é outra parte importante da conta. Um preço “por pessoa” pode estar calculado para duas pessoas a partilhar um quarto. Quem viaja sozinho pode ter a possibilidade de partilhar com outro participante, se ambos concordarem, ou escolher um quarto individual com suplemento. Essa partilha deve ser combinada, e convém confirmar se o quarto tem duas camas ou uma cama de casal.

Por fim, vale a pena ler as condições de inscrição com a mesma atenção. Um primeiro pagamento mais elevado pode estar relacionado com compromissos imediatos com voos, hotéis ou parceiros locais. Antes de pagares, deves saber o calendário dos pagamentos, as condições de cancelamento e o que acontece se não for atingido o número mínimo previsto. Estas respostas devem ficar por escrito.

RNAVT e RNAAT: o que cada registo permite

Esta é uma parte menos apelativa do que falar de destinos, mas faz parte de escolher uma viagem com confiança. Em Portugal, RNAVT e RNAAT correspondem a atividades diferentes. O número que aparece num site deve ser adequado àquilo que a entidade está efetivamente a organizar e a vender.

O RNAVT é o Registo Nacional das Agências de Viagens e Turismo. A organização e venda de viagens organizadas, a reserva de alojamento, a venda de transporte e a receção e assistência a turistas integram o âmbito destas agências. No regime geral, o acesso exige registo, participação no Fundo de Garantia de Viagens e Turismo e seguro de responsabilidade civil, com as especificidades previstas na lei. O Turismo de Portugal explica este enquadramento na página dedicada às agências de viagens.

Imagina uma proposta que combina vários dias no Japão, hotéis, transportes e visitas, comercializada como um programa de viagem. É este tipo de produto que deve ser analisado no enquadramento das viagens organizadas. Pode existir um líder associado à marca ou ao conceito, mas a entidade que organiza e comercializa a viagem tem de estar habilitada para essa atividade.

O RNAAT é o Registo Nacional dos Agentes de Animação Turística. Abrange empresas que desenvolvem atividades de animação turística, incluindo operadores marítimo-turísticos. Existem requisitos de atividade e de seguros, com isenções específicas. Por exemplo, a isenção de determinados seguros em atividades exclusivamente urbanas não equivale a uma isenção de registo. Podes consultar a explicação oficial sobre agentes de animação turística.

Um percurso cultural por Lisboa, uma caminhada organizada, uma atividade de descoberta de tradições locais ou um passeio de barco são exemplos de atividades que podem enquadrar-se neste regime, respeitando os requisitos de cada caso. A lista de atividades e as condições constam do regime da animação turística, no Decreto-Lei n.º 108/2009, na redação em vigor.

É por isso que uma atividade pode ser feita em grupo e enquadrar-se no RNAAT sem ser uma viagem organizada. O tamanho do grupo não decide qual o registo necessário. Nem a distinção se resume a fazer atividades em Portugal ou levar pessoas ao estrangeiro.

O limite torna-se mais claro quando se acrescenta alojamento ao programa. Nas suas perguntas frequentes sobre o RNAAT, o Turismo de Portugal esclarece que uma empresa de animação turística não pode incluir dormida no programa apenas com esse registo: entra no âmbito das viagens organizadas, sujeito ao RNAVT. Um fim de semana com caminhada e hotel exige, por isso, outro enquadramento além do RNAAT.

O mesmo documento distingue o transporte associado à própria atividade da prestação autónoma de transfers, que enquadra na atividade das agências. Os veículos e a forma de prestar o transporte têm regras específicas. Ter RNAAT não é uma autorização genérica para vender alojamento, voos ou qualquer transporte.

Também existe a situação inversa. Se uma agência exercer ela própria atividades de animação turística, deve cumprir os requisitos desse regime e inscrever-se no RNAAT. Uma entidade pode precisar dos dois registos porque desenvolve as duas atividades. Isso é diferente de uma agência integrar no seu programa uma atividade prestada por um operador habilitado. As perguntas frequentes sobre agências de viagens ajudam a perceber esta distinção.

Também não devemos concluir que um programa deixa de ser uma viagem organizada só porque não inclui voo ou porque existem pagamentos separados. A definição depende da combinação de serviços e da forma de contratação. Há exceções, incluindo determinadas atividades com duração inferior a vinte e quatro horas sem dormida, e regras próprias para viagens de negócios adquiridas ao abrigo de um acordo geral. A exceção relativa a esse acordo não abrange automaticamente qualquer viagem de empresa. O Decreto-Lei n.º 17/2018, na versão consolidada, contém estas definições e as condições aplicáveis.

Na prática, começa por identificar a entidade com quem contratas. Confirma o registo no Registo Nacional de Turismo, percebe quem recebe o pagamento e guarda o programa e as condições acordadas. Um registo adequado faz parte do enquadramento legal; a qualidade do roteiro e do acompanhamento também precisa de ser avaliada.

O Fundo de Garantia de Viagens e Turismo tem uma função de proteção dos créditos dos viajantes nas situações previstas na lei, com procedimentos próprios para o seu acionamento. Não deve ser confundido com um seguro pessoal de viagem. A informação oficial sobre o FGVT dirigida ao consumidor explica como funciona.

Este artigo dá uma orientação geral e alguns exemplos. Não substitui a legislação, a documentação oficial do Turismo de Portugal ou aconselhamento jurídico para uma situação concreta. Há particularidades relativas à intermediação, aos serviços de viagem conexos, às operações transfronteiriças, às regiões autónomas, aos seguros e a determinadas atividades que não cabem aqui. Para tomar uma decisão sobre o enquadramento de uma operação, é necessário consultar os diplomas e confirmar as condições desse caso.

Como junto estas peças na Brunu Travel

Na Brunu Travel, eu trabalho o conceito, testo os destinos, participo no desenho dos programas e comunico com os viajantes. Nas viagens que lidero, estou também no terreno com o grupo. As viagens organizadas são realizadas em parceria com agências devidamente registadas no RNAVT, identificadas em cada proposta.

A agência parceira assume a organização operacional, a contratação, as reservas, os seguros e os pagamentos, nos termos do programa. O pagamento é feito diretamente à agência responsável. Este modelo está explicado nas informações legais da Brunu Travel.

Escolher uma marca e escolher um líder são duas partes da mesma decisão. A estrutura precisa de responder quando há um problema; a pessoa que vai contigo precisa de conseguir acompanhar o grupo. No meu caso, procuro juntar a relação próxima com os viajantes ao trabalho das agências e dos especialistas que conhecem cada destino.

Quem me contacta por causa de uma viagem não procura apenas uma lista de hotéis e visitas. Muitas vezes, quer perceber com quem vai estar, como serão os dias e se vai sentir-se confortável no grupo. Essa conversa faz parte da preparação, tal como as reservas e a logística.

Bruno Oliveira junto ao Palácio de Buckingham, em Londres.
Bruno Oliveira em Londres, junto ao Palácio de Buckingham.

O que podes fazer com a Brunu Travel

Estes são os serviços e tipos de proposta que podes encontrar na Brunu Travel:

  • Viagens em grupo.
  • Viagens privadas para famílias, amigos e grupos já formados.
  • Viagens independentes / FIT.
  • Destinos em todo o mundo.
  • Criação de conteúdo para marcas de viagem.
  • Viagens corporate e eventos.
  • Operação profissional.

Nas viagens organizadas, a operação profissional é assegurada pelas agências parceiras devidamente registadas no RNAVT, identificadas em cada proposta, como expliquei acima.

De uma viagem com crianças a um festival ou a um evento de empresa

Nem todas as viagens em grupo começam com pessoas que não se conhecem. Uma família, um conjunto de amigos ou uma equipa de trabalho podem já ter o seu grupo e procurar alguém que ajude a desenhar a viagem e os acompanhe.

Uma ida à Disneyland Paris, por exemplo, pode ser pensada para miúdos e graúdos. Há pais e avós que querem partilhar esse momento, mas preferem ter apoio com os voos, o hotel, as entradas e as deslocações. Nesse caso, preparar bem a viagem passa também por olhar para as idades das crianças, os momentos de descanso, as refeições e a distância entre o alojamento e os parques.

Uma viagem com famílias não deve ser apenas um programa de adultos ao qual acrescentamos crianças. É preciso pensar nos dias a partir das pessoas que vão estar lá. O mesmo acontece numa escapadinha a Londres com atividades para os mais novos, visitas em família e um musical escolhido para aquele grupo.

Noutros casos, uma paixão pode ser o ponto de partida. Um grupo de adultos pode querer ir ao Ultra Music Festival, em Miami, a um grande concerto, a uma prova de Fórmula 1 ou a um jogo de futebol. O evento passa a orientar as escolhas do resto da viagem: os horários, a localização do hotel, os transportes e os dias que faz sentido acrescentar para conhecer o destino.

Estes são exemplos de formatos que podemos estudar com os parceiros adequados, e não um anúncio de partidas já abertas. As entradas, as condições de acesso e os serviços precisam de ser confirmados para cada proposta.

Nas empresas, as necessidades podem ser outras. Pode existir uma viagem de incentivo para uma equipa, um encontro entre colegas de vários países, uma visita profissional ou a participação numa feira. O programa deve começar pelo objetivo da empresa e pelo tempo que as pessoas têm disponível.

Imagina um grupo de executivos que vem a Lisboa para o Web Summit. Podemos preparar, com uma agência parceira, a logística contratada para essa deslocação: voos, alojamento, transfers, deslocações para o evento, refeições e acompanhamento do grupo. Podemos também articular horários de reuniões e momentos de visita à cidade, conforme o que for acordado. Enquanto os participantes se concentram no evento, existe alguém a acompanhar a operação e a ajudar nos imprevistos.

A experiência que tenho em tecnologia, gestão de produto e trabalho com equipas internacionais ajuda-me a compreender esse contexto. Sei como uma deslocação profissional pode estar cheia de compromissos e como a logística interfere no tempo disponível para aquilo que levou a equipa a viajar.

Há novos conceitos a caminho

Estou também a preparar formatos que irei anunciar em breve. Surgem de conversas com pessoas que gostam da ideia de ter apoio numa viagem, mas procuram uma relação diferente com o grupo.

Um deles permitirá viajar de forma independente pelo país nos mesmos dias em que decorre uma viagem em grupo da Brunu Travel. Terás o teu percurso e poderás juntar-te em momentos previamente definidos, quando fizer sentido para ti e mediante as condições desse programa. Pode ser numa atividade, numa refeição ou numa parte do itinerário.

Quero que seja uma forma de conciliar autonomia com companhia e apoio. O programa terá de explicar que acompanhamento existe, quais os momentos disponíveis, como se combinam os encontros e que serviços estão incluídos. Quem estiver a viajar noutra zona do país precisa de saber como pode contar connosco; o líder continuará a acompanhar o grupo com quem está fisicamente.

O segundo conceito será para quem gosta de explorar e quer acompanhar-me em viagens de teste no terreno. Em destinos que já conheço, podemos experimentar novos percursos, alojamentos e atividades antes de os integrar num programa habitual. Algumas dessas experiências serão novas também para mim, e essa descoberta partilhada fará parte da proposta.

A ideia é que este formato tenha um preço mais baixo e que a sua realização não dependa de um número mínimo de participantes. Quero abrir parte desse trabalho de preparação a quem tem curiosidade de participar nele. Haverá mais flexibilidade e algumas escolhas poderão ser ajustadas no terreno, algo que deve ficar claro desde o início.

As condições finais, os serviços incluídos e o alcance do acompanhamento serão apresentados quando os conceitos estiverem prontos. A vontade de fazer diferente precisa de resultar numa proposta que cada pessoa consiga compreender antes de decidir.

Crescer sem perder a proximidade

Quero continuar a desenvolver a Brunu Travel em destinos, formatos e parceiros. Isso inclui trabalhar com outros líderes, porque não conseguirei acompanhar pessoalmente todas as viagens que quero criar.

Para mim, um líder tem de gostar de pessoas tanto quanto gosta de viajar. Precisa de ouvir, comunicar, conhecer o destino e assumir o seu trabalho quando surgem dificuldades. A passagem de informação e a preparação serão fundamentais para que o grupo saiba com quem vai e para que essa pessoa esteja em condições de o acompanhar.

A ambição é que a Brunu Travel seja reconhecida pela forma como prepara e acompanha as viagens. Podemos passar de quatro dias numa cidade europeia a duas semanas na Ásia, ou de um grupo de amigos a uma equipa de uma empresa. Em cada caso, quero perceber quem vai viajar e construir o programa a partir daí.

No fim, regressamos à pergunta inicial: de que viagem em grupo estamos a falar? A melhor resposta aparece quando o programa, as condições e as pessoas envolvidas são suficientemente claros para conseguires imaginar os teus dias naquele destino.

É isso que procuro oferecer: viagens que conheço, escolhas que consigo explicar e acompanhamento próximo, com os parceiros certos para as tornar possíveis.

Bruno Oliveira

Fundador da Brunu Travel e líder de viagem

A felicidade de viajar em grupo, sem te perderes na multidão.

www.brunutravel.pt